"Estava naquela sala, com a família do falecido, sem saber o que dizer."

Victor Sebastião
Licenciatura em Psicologia Social e das Organizações (2001) pelo ISCTE
Mestrado em Psicologia Clínica (2012) pela FCHS, Universidade Lusíada de Lisboa
A frequentar o curso de Especialização em Psicodiagnóstico e Intervenção Psicoterapeutica de Apoio
Mediação e Meios Alternativos de Resolução de Conflitos (2008) pela MEDIARCOM

RESUMO

"Estava naquela sala, com a família do falecido, sem saber o que dizer." – Este comentário, proferido por um enfermeiro num workshop dedicado à temática do luto, demonstra exemplarmente que, por mais formação que se tenha, seja teórica ou prática, ainda há aspetos no processo de morte que não estão claros e que merecem maior atenção por parte de todos os intervenientes.
Palavras-chave: Luto, workshop, choro, apatia, revolta, morte.


"Estava naquela sala, com a família do falecido, sem saber o que dizer." – Este comentário, proferido por um enfermeiro num workshop dedicado à temática do luto, demonstra exemplarmente que, por mais formação que se tenha, seja teórica ou prática, ainda há aspetos no processo de morte que não estão claros e que merecem maior atenção por parte de todos os intervenientes.


Os profissionais que lidam frequentemente com situações de perda têm o enorme desafio de acompanhar quem sofre.
Acompanhar significa estarmos ao lado da pessoa enlutada. Acompanhar, cuidando. Desde a mais tenra infância que aprendemos a ser protegidos pelos outros. A dor da perda é imensa e turva o comportamento, sentimentos e sensações do enlutado, sendo que procuramos, muitas das vezes, o conforto de contacto por parte dos outros para nos sentirmos protegidos (daí a importância do toque genuíno e exclusivo de quem dá e da sensação de quem recebe).

Acompanhar é ajudar o enlutado a encontrar uma fonte de apoio que lhe permita:


1. Expressar a sua dor
2. Entender o que está a sentir
3. Ser aceite incondicionalmente
4. Não desistir e prosseguir


Quando acompanhamos o enlutado, temos que aceitar a sua dor como parte do processo de despedida/perda. Por vezes, a dor não é expressa através do choro, mas através da apatia ou até da revolta.

Cada pessoa enlutada passa por um processo de reorganização que lhe permitirá adaptar-se a uma nova situação (viver sem o ente amado e perdido pela morte), cabendo ao profissional criar uma relação empática, confiante e humana que permita a descoberta do sofrimento através do investimento na vida e nas novas relações.


São também ingredientes fundamentais na relação de ajuda ao enlutado a esperança, a fé e o investir na vida (após a morte) com base numa relação humana de confiança mútua. Temos de aceitar o outro e a expressão da sua dor, para nos aceitarmos a nós próprios.

Não serve de nada pedir ao enlutado para não chorar ou não ficar triste, pois esta é a altura em que os profissionais estarão presentes para apoiar nesse sofrimento, acalentando a dor e aceitando-a como parte individual do enlutado. Temos que dar tempo ao tempo, mas não podemos desistir da pessoa à qual damos a nossa relação de ajuda, só porque a pessoa não se comporta ou "evolui" da forma como nós queremos que ela se comporte ou "evolua".


A morte faz parte da vida. Com ela aprendemos a re-viver. A dor faz parte do desenvolvimento humano. Aprendemos a sofrer e ao lidarmos com o sofrimento descobrimos "salpicos" de nós próprios que nos tornam mais hábeis e adaptados e as relações tendem a fortalecer-se.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Retirado do blogue pessoal do autor:

http://workshoppsicologiadoluto.blogspot.pt/

   
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